-->

Notícias – Julho/2013

Sobre médicos e saúde no Brasil

A APSP, feita de associados de múltiplas profissões da saúde e de forte tradição plural, busca neste editorial se posicionar sobre a pauta do trabalho e da formação médica no Brasil, assunto que tomou enorme relevância nesta semana. Assim, apresentamos algumas questões que acreditamos devam ser consideradas para aprofundar o debate mais que necessário sobre essa polêmica.
 
Primeiro, constata-se que faltam mesmo médicos no Brasil! Não fosse pelos indicadores internacionais de proporcionalidade de profissionais por população, em que estamos abaixo de muitos países semelhantes ao nosso, bastaria ver a disputa que se dá via regulação mercadológica de salários: quanto mais falta profissional, maior o salário. O médico é a profissão com maior média salarial no Brasil! Portanto, são bem-vindas as medidas para aumentar o número de médicos no País.
 
Em segundo lugar, é sim preciso distribuir adequadamente os profissionais equilibrando a oferta de médicos em todas as regiões – das mais remotas às periferias nos grandes centros urbanos. Mas como promover as mudanças necessárias em agenda tão complexa? Nessa direção, o governo federal, que já vinha sinalizando intervir em tal agenda através de medidas como o Provab e o Pró- Saúde, lançou o programa “Mais Médicos”, mais ousado que as medidas anteriores.
 
Todavia, permanecem questões urgentes que devem ser discutidas nesse momento em que a população brasileira clama e protesta por soluções para nossos problemas nacionais, ao mesmo tempo em que as condições objetivas parecem favorecer profundas mudanças e inovadoras políticas públicas para o País. Seguem algumas dessas questões:

  • As mudanças pretendidas se sustentarão sobre o atual modelo de saúde híbrido público-privado promíscuo e competitivo pelos mesmos recursos, inclusive médicos?
  • A produção do cuidado e assistência em saúde no SUS continuará centrada na consulta médica sob protocolos corporativos autorreferentes?
  • Haverá também mudanças na formação e regulação corporativa dos profissionais da enfermagem no sentido de estender suas funções assistenciais nos serviços de saúde?
  • A regulação da mídia nacional continuará leniente com o incentivo ao consumo de planos privados em saúde, ao turismo médico, à automedicação e ao consumo exagerado de medicamentos?
  • E, por fim e não menos importante, deixaremos de financiar custeio e investimento do setor privado e subfinanciar a saúde pública no Brasil?

Em consonância com os esforços de sempre, a APSP apoia fortemente o debate urgente, célere e produtivo de novos paradigmas de produção e serviços assistenciais, com destaque para os pontos apresentados em favor do SUS, da saúde pública, e do direito universal à saúde no Brasil.

Diretoria e Conselho Deliberativo da APSP



Agenda

Congresso da APSP: Destaques

Nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, acontecem as atividades pré-congresso, cursos, oficinas e fóruns. A cerimônia de abertura acontece no dia 1º, seguida da conferência de Peter Pál Pelbart (PUC/SP) Políticas da Vida e Produção do Comum…e a vida em jogo.
As Dimensões da Produção do Comum é o tema da conferência de Ricardo Teixeira (FM/USP), às 9h do dia 2. Às 18 horas, Vladimir Safatle (FFLCH/USP) faz a conferência Dimensões do Público: O Indivíduo Contemporâneo e a Ordem Social.
Emir Sader (UERJ) profere a conferência A Centralidade da Política Pública às 9h do dia 3. Ainda no dia 3, Impasses na política pública: o SUS e seus trabalhadores terá Gastão Wagner (Unicamp) como conferencista.
Conspiração contra a produção do bem comum e do público: capitalismo globalizado e individualismo é a conferência de Luis David Castiel (ENSP/Fiocruz), às 9h do dia 4. A conferência de encerramento do Congresso será feita por Áurea Ianni (FSP/USP), às 13h30.
O congresso, que tem como eixo central O público na Saúde Pública: a responsabilidade na produção do (bem) comum acontece entre os dias 31 de agosto e 04 de setembro, em São Paulo. O evento é realizado pela APSP em parceria com a Faculdade de Saúde Pública, Faculdade de Medicina e Escola de Enfermagem da USP e com o Instituto de Saúde da SES/SP.

Participe! Descontos para associados APSP. Ainda não é sócio? Associe-se e renove sua associação anual.

marca_13 congresso paulista de saude publica_RGB
www.congressoapsp.com.br



Notícias

Comissão da Verdade na Saúde

A APSP realiza no dia 22 de agosto, às 19h, reunião ampliada com o objetivo de iniciar discussão para o levantamento de situações de violações de direitos durante a ditadura civil-militar na saúde. A reunião contará com a presença do deputado estadual Adriano Diogo, que preside a Comissão da Verdade na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Contamos com a sua presença!

Saúde +10

O movimento Saúde +10 realizou ato em Brasília no dia 10 de julho, durante o encerramento do XIX Congresso do Conasems. O dia 10 de julho foi denominado dia nacional de coleta de assinaturas. O Saúde +10, projeto de lei de iniciativa popular que determina o repasse de 10% das receitas correntes brutas da União para o SUS, passará por sessão plenária no dia 5 de agosto.

Universidade Católica de Santos: processo seletivo para docente

A Universidade Católica de Santos lançou edital para o processo seletivo de docente no programa de pós-graduação Stricto Sensu em Saúde Coletiva, junto à linha de pesquisa Epidemiologia, Ambiente e Saúde, com preferência para epidemiologistas que trabalhem com doenças infecciosas ou crônicas.

13ª Expoepi

A 13ª edição da Mostra Nacional de Experiências bem-sucedidas em epidemiologia, prevenção e controle de doenças acontece em outubro, em Brasília. As inscrições vão até o dia 19 de julho. Mais informações aqui.



Artigos

Saúde e Sociedade: Uma análise exploratória dos programas de controle da tuberculose da Bahia e Goiás à luz da teoria dos custos de transação

O artigo Uma análise exploratória dos programas de controle da tuberculose da Bahia e Goiás à luz da teoria dos custos de transação de Sebastião Loureiro, Hamilton de Moura Ferreira Júnior, Fábio Batista Mota e Lúcio Flávio da Silva Freitas analisa o Programa de Controle da Tuberculose (PCTs) dos Estados da Bahia e de Goiás e respectivas capitais, Salvador e Goiânia, a partir da Teoria dos Custos de Transação. Para tanto, foi realizado um estudo de caso nos PCTs citados, utilizando-se, junto aos seus gestores, do método de entrevistas aprofundadas semidiretivas. Os resultados sugerem: (a) baixa especificidade em ativos humanos; (b) baixo grau de incerteza – relacionada à flutuação da demanda e à introdução de novas tecnologias (medicamentos); (c) aspectos relacionados à racionalidade limitada (informação incompleta) são pouco relevantes – no que tange à redação do contrato (Programa Nacional de Controle da Tuberculose – PNCT) e ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN); (d) e alta probabilidade de ocorrência de comportamento de tipo oportunista (risco moral) – devido ao não monitoramento das ações, à ausência de punições em caso de descumprimento das ações pactuadas no PNCT e ao regime de incentivos vigente.

O artigo completo está no volume 22, número 1, da revista Saúde e Sociedade.

Veja aqui o artigo na íntegra e aqui a edição completa.

No site da APSP estão todas as edições da Saúde e Sociedade.