Alimentos ultra-processados e pandemia de doenças crônicas

Fonte: FSP/USP

Artigo publicado pela revista The Lancet, de co-autoria de Docente da FSP USP, evidencia o papel da indústria transnacional de alimentos ultra-processados na pandemia de doenças crônicas

Uma das mais importantes publicações científicas na área de saúde, a Revista The Lancet publicada no Reino Unido pelo Lancet Publishing Group, trouxe em fevereiro um artigo intitulado “Profits and pandemics: prevention of harmful effects of tobacco, alcohol, and ultra-processed food and drink industries’.

O estudo analisa os efeitos sobre as doenças crônicas de produtos que o artigo denomina ‘unhealthy commodities’. Essas mercadorias incluem, ao lado do tabaco e das bebidas alcoólicas, produtos alimentícios que são ultra-processados. Após caracterizar essas ‘mercadorias que produzem doença’, em particular o que seriam alimentos ultra-processados, o artigo descreve a evolucao de suas vendas no mundo mostrando um enorme crescimento nos países de baixa e média rendas. Além disso, o artigo examina as estratégias utilizadas pelas indústrias transnacionais que produzem e comercializam tabaco, alcool e alimentos ultra-processados para minar políticas públicas que poderiam inibir o crescimento do seu consumo pela populacao. Estratégias similares são compartilhadas pelas tres industrias.

Os autores do artigo avalim então a eficácia de tres alternativas para a prevenção dos efeitos danosos dessas tres indústrias para a saúde da população: a auto-regulamentação, parcerias público-privadas e regulação pública. A conclusão principal é que apenas a regulação pública seria eficaz e que as indústrias de ‘mercadorias que produzem doença’, incluindo a indústria de alimentos ultra-processados, não deveriam ter nenhum papel na formação nacional ou internacional de politicas de combate a doencas crônicas.

Docente do departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP, Carlos Monteiro, foi um dos autores do artigo. Ele espera que a publicação deste artigo pela revista Lancet contribua para que as autoridades responsáaveis pela Saúde Pública, no Brasil e nos demais países, atentem para a importância de políticas e açães que regulamentem as agressivas e eficazes estratégias de marketing utilizadas com tanto sucesso pelas indústrias de alimentos ultra-processados.

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