Chioro pede ajuda a Renan para não aprovar projeto que inviabiliza Mais Médicos

Fonte: O Globo

Projeto de decreto legislativo do PSDB anula termo de cooperação com a Opas, que trouxe médicos cubanos ao Brasil

POR CRISTIANE JUNGBLUT E ANDRÉ DE SOUZA

26/03/2015 16:09 / ATUALIZADO 

Ministro da Saúde, Arthur Chioro (de cinza). pede ajuda a Renan para não aprovar projeto que inviabiliza Mais Médicos– Divulgação/ Agência Senado

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Arthur Chioro, se reuniu na manhã desta quinta-feira com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e fez um apelo para que o Senado não aprove o projeto de decreto legislativo que inviabiliza o Programa Mais Médicos. A proposta anula o termo de cooperação entre o Brasil e a Organização Pan Americana de Saúde (Opas) relativa à implantação do Mais Médicos. Foi a Opas que intermediou o acordo para trazer médicos cubanos ao Brasil. Na saída, o ministro disse que ficou satisfeito com o apoio recebido de Renan e do vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC).

O projeto de decreto legislativo foi apresentado pelo PSDB, com a justificativa de que informações veiculadas pela imprensa afirmam que a parceria com a Opas foi uma estratégia para evitar que o tema fosse analisado pelo Congresso. Chioro disse que a aprovação do projeto inviabilizaria o programa.

— Esse projeto traz enorme prejuízo ao Mais Médicos. Se ele prosperar, teremos seríssimos problemas. Vim trazer ao presidente do Senado a preocupação. Essa proposta é um retrocesso, um desserviço — disse Chioro, lembrando que 11.400 médicos cubanos participaram do programa.

No plenário do Senado, o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO) atacou Chioro. Segundo ele, o ministro acusou a oposição pelas denúncias de irregularidades no programa. O senador, que é um dos maiores opositores do Mais Médicos no Congresso, rebateu, citando reportagem veiculada pelo “Jornal da Band” na semana passada. A matéria mostrou a gravação de uma reunião realizada no Ministério da Saúde em 2013 para tratar dos termos do acordo que viria a viabilizar o trabalho de médicos cubanos no Brasil. Segundo a reportagem, assessores ministeriais, entre eles três lotados no Ministério da Saúde, tiveram um encontro no qual discutiram estratégias para mascarar as cláusulas que atenderiam aos interesses do governo de Cuba. Entre as táticas usadas estaria o uso da Opas para intermediar o acordo e, assim, driblar a legislação brasileira.

— E o ministro Chioro chega, aqui, naquela tese, como se nós estivéssemos tentando dificultar o problema da saúde. Não! — discursou Caiado.