Financiamento de campanhas por planos de saúde: levantamento de Mário Scheffer e Lígia Bahia

Mário Scheffer (FMUSP) e Lígia Bahia (UFRJ) fizeram levantamento sobre financiamento de campanhas por planos de saúde. Veja abaixo as considerações de Scheffer. A íntegra está aqui

Nas eleições de 2014, até o mês de setembro, os planos e seguros já haviam doado R$ 8, 3 milhões a 30 candidatos majoritários e proporcionais, de vários partidos.

Vejam que são grupos empresariais muito próximos ao Congresso Nacional e ao núcleo dirigente do país, que têm conseguido indicar diretores da ANS, obter isenções tributárias, anistias e benefícios fiscais.

São os mesmos que alimentam a narrativa sobre o fracasso do SUS e obtém garantias de crescimento de um mercado artificial de planos de saúde que acumula tantos problemas. Falam em dobrar em curto prazo para 100 milhões os brasileiros cobertos, lançando mão de mais investimentos públicos e agora também investimentos privados internacionais.

A aventura privatizante é benéfica para empresas e empresários, mas conduz o país a um impasse na saúde. Trata-se de uma armadilha, constituída pelo desvio do fundo público do SUS para os planos privados. A tendência de aumento dos gastos pessoais e das famílias com saúde, hoje já bastante expressiva, se agravará.  Os ganhos em termos de melhoria de status laboral e renda serão destinados ao pagamento de planos privados e não para ampliar o desenvolvimento social do país.