Revista Saúde e Sociedade 23/1

A revista Saúde Sociedade, editada pela Associação Paulista de Saúde Pública e pela Faculdade de Saúde Pública da USP traz em destaque em seu número 23/1, seis artigos que integram o dossiê “Uma antropologia de interface: políticas públicas e assistenciais numa perspectiva comparativa“, resultado da cooperação entre pesquisadores brasileiros e portugueses.  Temas sobre inserção de populações migrantes jovens, consumo e circuito das drogas entre jovens usuários de crack e outras drogas e sobre seus projetos, expectativas e construção de caminhos de vida, traçam uma perspectiva ao mesmo tempo ampla e profunda sobre esses temas.  Que políticas estamos fomentando acerca dessas questões?  Como se organizam os serviços de suporte e tratamento da drogadição?  Que escuta oferecemos aos jovens que se deslocam nas metrópoles na construção de seus caminhos de vida e emancipação?  Como a sociedade e suas instituições tanto aqui como acolá compreendem e intervêm nos circuitos descritos pelos autores?

Os autores mostram como os programas assistencialistas destinados a reduzir o risco e a proteger os vulneráveis (crianças e jovens imigrantes, jovens em conflito com a lei, trabalhadores do sexo e usuários de droga) acabam por propor formas normativas de cidadania, fundadas em assunções morais e na construção de específicos “problemas” e de supostas “soluções”, para o atingimento de um “resultado ideal”.  Mostram, através da narrativa de sujeitos como Pedrinho – um travesti dependente químico que busca alternativas de suporte e cuidado em sua condição – ou de Rachid – um jovem imigrante marroquino na França atual em busca de emancipação pessoal e profissional – como é produzida a violência institucional com que as populações alvo se deparam quando o sector social intervém nas suas vidas,  realçando a dubiedade e contradição na lógica de proteção e correção destas políticas.

Como dissemos, os artigos do dossiê trazem achados fundamentais e dão consistente suporte à análise de políticas que se pretendem protetoras e inclusivas, mas que violentam e excluem as populações a que se destinam.  Não deixem de ler e partilhar o número 23/1 da revista Saúde e Sociedade.

A revista na íntegra está aqui.

capa 23.1 (1)