Nosso encontro

(Abertura do evento)

Folder 15º Congresso

Em 20/10, surpresa, deslocamento, beleza, sensibilidade. No Solar da Viscondessa, prédio colonial da Unitau, Mateus Vasconcelos e Gabriela Carvalho, Dançando sobre Rodas , e uma exposição inspirada na vida de Lima Barreto, de curadoria de Bob Nascimento, acolhem os participantes do evento. Reunimos 67 pessoas, para duas rodas de conversa que apresentaram os movimentos precedentes do Congresso e três outras, de diálogo e conversas com os autores dos trabalhos enviados.

A primeira roda, Ambiente é Saúde, foi ativada por Francisco Duarte, eleito, durante o Congresso, Coordenador do Núcleo Regional do Vale do Paraíba Paulista da Sociedade Paulista de Medicina de Família e Comunidade. As discussões giraram em torno do atravessamento da lógica de mercado na saúde, que se inicia na formação, e na agricultura, reduzindo o espaço de práticas mais integrativas e solidárias e no debate de ações que revertem essa lógica e produzem novas práticas, subjetividades e relações,  Mariana Freire, da Secretaria Municipal de Pindamonhangaba, e Beatriz Cursio (SPMFC) contaram a trajetória do CPIC – Centro de Práticas Integrativas e Complementares, inaugurado em 2006 na cidade. Nele, o cuidado integral, promotor de autonomia, é aliado ao desenvolvimento de pesquisas; as Rodas de Estudos de Plantas acontecem desde a inauguração e se associam a uma série de iniciativas, que vêm sofrendo limitações financeiras, num serviço que se mantém pelo compromisso dos profissionais que o instituíram e cotidianamente implementam.  Marina Valadão, da Associação SerrAcima conta sua trajetória de “migrante rural” numa aproximação gradativa e, agora, plena, do município de Cunha e enfatiza o imaginário envolvido nessa transição. Ressalta que a agroecologia, para as populações rurais de municípios turísticos, é um enfrentamento à descaracterização cultural do meio que esse processo envolve. É um resgate da qualidade da alimentação e, igualmente, da cultura local, que inclui a linguagem e modos de vida, o fortalecimento das relações e reatamento de redes rompidas. A ruralidade contemporânea é diversa, complexa, misturada à urbanidade e permeada por questões novas, como o consumo, que deve ser considerado, em especial nas aspirações dos mais jovens. A saúde é reflexo dessa teia de relações e os projetos apresentados, tomados como resistência, fornecem novas perspectivas de futuro e presente.  No debate, dialogou-se sobre a ausência da região no Congresso Nacional de PIC e se propôs a criação de uma Rede Regional para o fortalecimento das PIC. O grupo se animou a recuperar e valorizar nossa caipira identidade regional, não preservando-a, mas conservando-a, em sua essência, transportada aos dias de hoje, reapropriada, matriz emissora da energia da ação coletiva.

A Roda Cultura é Saúde, mediada por Pedro Ivo, juntou movimentos culturais de Taubaté e São José dos Campos a ações e propostas de saúde operadas pela Vigilância do Município de Taubaté. Bob Nascimento revelou a todos sua descoberta – um ativista cultural é um agente de saúde! Na atividade semanal que reúne centenas de jovens para  atividades promotoras do protagonismo de jovens por meio da arte, trabalha e produz autonomia, projetos de vida, contato… saúde. Maria Siqueira, do Ecomuseu, conta sobre o resgate de saberes e fazeres tradicionais para o fortalecimento comunitário. E Daniela Bittencourt e Larissa Galvão Ribeiro contam como, para a implementação das políticas emancipatórias, como o Bolsa Família, ou de vigilância, como as ações de controle de arboviroses, é preciso debater o seu significado com os operadores da política no cotidiano, abrindo espaço para novas formas de  implementação. As parcerias no território são um caminho, mas as unidades de saúde parecem ainda distantes de uma efetiva territorialziação, que ocupe o espaço como Bob ocupa as praças e crie vínculos como o Ecomuseu mobiliza desejos individuais transformando-os em realização coletiva.

Na região do Vale, o caminho de resistência pensado pelo Núcleo é o de manter e multiplicar encontros simultaneamente afetivos e potentes, como foram todos os relacionados ao Evento, encontros que possam levar a uma apropriação efetiva do espaço regional como espaço identitário, vivo, de movimentos tensos e intensos, respeitando nossa diversidade cultural; espaços de comunicação que nos conectem e potencializem, como seres e comunidade política.

 

Encontro em casarão histórico, cheio de significado
Roda de conversa: Ambiente é Saúde!
Parceria: instituição do Núcleo Regional da Associação Paulista de Medicina de Família e Comunidade
Discussões temáticas com autores. Trabalhos agrupados nos eixos Saúde como direito e serviços; Cuidado de populações vulneráveis; Universidade além muros
Ana Lúcia conta a dinâmica do 15Congresso APSP
Roda: Cultura é Saúde!

Organização: Paula V Carnevale Vianna, Aline Lino Batista, Andrea Peneluppi Medeiros, Ana Emília Gaspar

Comissão Científica: Fátima Aparecida Ribeiro, Pedro Ivo, Carlos Alberto (Cao) Moares

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